A recuperação da economia e do emprego iniciou-se três anos antes de a geringonça existir e o défice em 2% do PIB foi graças ao plano B, corte recorde no investimento público, cativações nos serviços, Saúde, Segurança e Educação. Após quase dois anos, o Governo está marcado pela “desorientação” e não sabe gerir as contrariedades. O Governo não existiu quando o País precisou.
“Precisamos, enquanto País, de muito mais”, defendeu esta quarta-feira Pedro Passos Coelho, no debate sobre o “Estado da Nação”. “O País precisa, pelo menos, de liderança e de objetivos mobilizadores e efetivos”, explicou depois de ter lembrado que, com os incêndios de junho e com o furto de armamento militar de Tancos, “ficaram expostas as fragilidades, as contradições, as simulações, o calculismo e o populismo latente” de um Executivo que, até então, se refugiara nas boas notícias. Segundo reiterou, “a realidade mostra-nos hoje, sem surpresa, um País com desequilíbrios excessivos e com vulnerabilidade e riscos estruturais ainda graves”, económica e socialmente.
O líder social-democrata enalteceu os “progressos importantes nos esforços de consolidação orçamental, no crescimento e na abertura da economia”. Destacou que, “ao contrário do que a maioria parlamentar e o Governo querem fazer crer, o crescimento da economia e do emprego, associados aos resultados da redução do défice público não começaram com a geringonça”, mas “ainda antes de termos concluído o Programa de Resgate há mais de três anos”.
Défice de 2% em 2016: “o custo pior para o País era não ter cumprido”
Pedro Passos Coelho, e referindo-se ao défice de 2% alcançado em 2016, lembrou que “o custo pior para o País era não ter cumprido”. Contudo, “podemos discutir, e discutimos, se as escolhas orçamentais foram as mais prudentes ou adequadas para cumprir o objetivo”. Neste sentido, salientou que o atual Executivo, “chegado a meio do ano, quando se percebeu que a estratégia económica não tinha os resultados que esperava e que se continuasse por aquele caminho falharia as metas relevantes, mudou de orçamento e pôs em marcha um plano B que nunca teve coragem de assumir e que, até, repetidas vezes negou”. Recordou, assim, “cativações como não havia memória”, o “travão a fundo no investimento público” ou “medidas extraordinárias em cima umas das outras”.
“Caiu a máscara do fim da austeridade”
Agora, “caiu a máscara do fim da austeridade”, afirmou o Presidente do PSD, depois de ter denunciado que, apesar de o atual Executivo “ter apregoado tempos de normalidade”, executou um “plano B” sem o qual, e de acordo com a Conta Geral do Estado, “teríamos ficado confortavelmente acima de 3% de défice no ano passado”. Tal como afirmou, “impressiona o esforço de dissimulação realizado pelo Governo para esconder as opções que tomou”. Recordando cortes na Saúde, no Trabalho e Solidariedade, no Ensino Básico, na Ciência e Ensino Superior, na Justiça ou na Segurança Interna, disse estar “defunta a fantasia de que, antes de a geringonça existir, só por obsessão ideológica se não investia ou gastava mais nas políticas públicas, sociais ou de soberania”. Por isso, “está enterrada a mistificação de que havia uma alternativa à restrição orçamental, de que bastava a esquerda agitar a sua varinha mágica para que a consolidação se verificasse sem cortes e sem dificuldades ”.
Próximo Orçamento do Estado: que o Governo “seja menos fantasioso, dissimule menos”
Pedro Passos Coelho sugeriu ao Governo que, no próximo Orçamento do estado, “seja menos fantasioso, dissimule menos e assuma com mais transparência” as suas opções, poupando assim o País “ao estafado exercício do faz-de-conta” que caracterizou estes quase dois anos de governação. Aconselhou, ainda, a que quem governa “deixe de lado essa estratégia do inimigo externo, da desresponsabilização e do passa-culpas”, pois trata-se de uma “infantilização da política” que, e segundo reforçou o líder social-democrata, “não se coaduna com a enorme responsabilidade que hoje têm na governação do País”.
Segundo alertou o PSD, o País cresceu “menos em 2016 do que em 2015”. A desaceleração deveu-se “ao clima de reversões efetuadas” pelo atual Executivo e “à mudança de orientação política económica”. “O Governo perdeu tempo e ritmo no crescimento, na melhoria do rating, na amortização antecipada de dívida”, criticou o Presidente dos social-democratas. Foram, por isso, desperdiçadas “oportunidades muito favoráveis”. “O País poderia estar melhor hoje e para futuro se, em vez de o Governo andar à boleia da conjuntura e a colher os frutos das reformas realizadas no passado, estivesse a agir para empreender novas reformas”, afirmou Pedro Passos Coelho.
"Maioria parlamentar desdenha ou procura ridicularizar tudo o que não a elogia”
“Do alto da sua autossuficiência e sentimento de superioridade, a maioria parlamentar desdenha ou procura ridicularizar tudo o que não a elogia ou que lhe vê defeito”, criticou. “O Governo e a maioria também têm a maior relutância em aceitar como natural o escrutínio democrático, a prestação de contas e a fundamentação das suas decisões”, salientou.
Foram, no entanto, os desenvolvimentos mais recentes e trágicos que vieram revelar “enorme desorientação e desarticulação” deste aparente “governo maravilha e maioria estável”. “A meio da legislatura, o País descobriu que a economia pode até estar a andar melhor”, mas “a responsabilidade política está a fracassar em grande estilo”, afirmou Pedro Passos Coelho, reforçando que a solução governativa atual apenas existe “para as boas notícias”. “A metade do Governo que deveria existir também para os momentos imprevistos e para preparar as mudanças de fundo a pensar estrategicamente no futuro ou não existe ou é, simplesmente, desconcertante e desmoralizadora”, denunciou.
O líder social-democrata referiu-se, ainda, aos “resultados paradoxais” do Governo, pois apesar de sustentar uma retórica que ataca o modelo de salários baixos, “observa-se na economia que, nunca nos anos mais recentes, tantos trabalhadores estiveram condenados aos mais baixos salários”. Regista-se, também, “um contínuo ataque à exigência na educação e a promoção do facilitismo”. Na Saúde, há “instituições cada vez mais endividadas, os seus profissionais em piores condições de trabalho e a falta de oferta pública gritante”. Destaque, ainda, para o aumento da precariedade no Estado e para a quebra do investimento na ciência.
PSD DENUNCIA: contradições do atual Executivo
Luís Montenegro: “O que vale a Portugal é o seu povo”
“Não tenham dúvidas”, alertou Luís Montenegro, “não é o populismo, o eleitoralismo ou, mesmo, o cinismo desta geringonça que respondem” pelo crescimento da economia. “O que vale a Portugal é o seu povo”, afirmou, acrescentando não ter dúvidas de que “com a força da nossa sociedade, com a conjuntura de 2016 e 2017, com o Governo que os portugueses escolheram nas urnas, se tivéssemos um governo reformista Portugal era um País mais próspero e justo”.
Segundo afirmou o líder do grupo parlamentar do PSD, “este Governo chega a este debate num processo de degradação indisfarçado”, destacando-se a sua perda de autoridade e a sua “liderança muito frágil” ou inexistente. Acusou mesmo António Costa de nunca ter tido “autoridade eleitoral”, apresentando-se no debate sobre o “Estado da Nação” “com uma autoridade política muito diminuída”.
Portugal “está a perder tempo e oportunidades com este Governo”
Luís Montenegro lembrou que, para o PSD, Portugal “está a perder tempo e oportunidades com este Governo”. Acresce, ainda, que “o Estado está a ser ferido”, depois de ter sido “atingido nos seus pilares fundamentais”, nomeadamente na Segurança, Defesa, Educação, Saúde ou nos Transportes.
Recordou os incêndios que afetaram a região Centro do País, em Junho, para explicar que o Estado colapsou quando “não conseguiu salvar aqueles que fugiam do perigo” e quando o SIRESP (do qual acusou António Costa de ser “autor”) “falhou no exato momento em que não podia falhar”.
Referindo-se ao furto de armamento militar, o líder parlamentar acusou o Governo de estar a “relativizar o assunto”, a “afetar a dignidade das Forças Armadas” e a “instigar um modelo de desresponsabilização”. “A sua [António Costa] cobertura política e o seu patrocínio político também contribuem para o colapso do Estado”, denunciou, recordando que, para isso, também estão a contribuir as polémicas registadas na educação, ou “quando a cultura de mérito e de transparência é substituída pelo amiguismo” ou, ainda, quando o “primeiro-ministro não tem a humildade de pedir desculpa”, depois de ter acusado “o seu antecessor de deixar fugir 10 mil milhões de euros para offshores”.
CGD: PS, BE e PCP juntos no “mais grave branqueamento político”
Luís Montenegro dirigiu-se, ainda, ao Bloco de Esquerda e ao Partido Comunista Português acusando-os de bloquearem “escandalosamente a descoberta da verdade” no que se refere à Caixa Geral de Depósitos (CGD). “PS, BE e PCP não têm vergonha em deixar a investigação por fazer e juntam-se para o mais grave branqueamento político de que há memória do nosso País”, afirmou.
Segundo o líder da bancada social-democrata, é também “a democracia que está a colapsar”, “quando o Parlamento aprova orçamentos e orientações de política financeira e, depois, não as executa e modifica-as sem ter coragem de o assumir, quando corta a eito o investimento público, faz cortes que não é capaz de explicar, quando tudo isto decorre com os aplausos dos deputados que se sentam nestas três bancadas”.
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