O Governo esconde o acordo com os lesados do BES: há falta de transparência, de respeito pelo País e pelo Parlamento. Para os social-democratas, a proposta de lei do Governo é “fato à medida de alguém” e pode afetar todos os contribuintes neste caso e em futuros “negócios ruinosos”.
A solução para os lesados do papel comercial do BES está envolta na “mais profunda opacidade”, com o Governo a esconder ao Parlamento “os termos do acordo alcançado”, de acordo com Carlos Silva, deputado do PSD.
“Sem conhecermos o acordo, não sabemos se a proposta [de lei] que aqui nos traz o materializa”, disse Carlos Silva, referindo-se ao “acordo alcançado” pelo Governo e recordando as diversas interpelações feitas, até agora sem resposta. A opacidade do Governo foi, também, focado pelo deputado Duarte Pacheco que recordou que “o regimento, que é lei, diz que o Governo tem 30 dias para responder”. Segundo o deputado, o pedido foi feito em dezembro, mas volvidos “180 dias esse acordo não chegou”. Perguntou, por isso, o motivo pelo qual o Executivo esconde “a letra do acordo ao Parlamento e ao País”. Para o PSD, trata-se de “um desrespeito pela casa da democracia e é isso que levanta tantas dúvidas e perplexidades”.
Carlos Silva lembrou que a reunião plenária desta sexta-feira constituía “uma boa oportunidade para pôr fim à gritante falta de transparência”. Não poupou, contudo, nas críticas, afirmando que “é patente que, mais uma vez, o Governo engendra uma solução ardilosa que acaba por colocar portugueses contra portugueses”. Referia-se ao facto de “o dinheiro de todos os portugueses” vir a ser “utilizado para pagar o direito de alguns”. Não escondeu a preocupação que esta possibilidade causa.
Portugueses chamados a pagar “negócios ruinosos”
Para o PSD não devem ser os portugueses a suportar, com os seus impostos, “os investimentos ruinosos que alguns clientes bancários foram aliciados a efetuar”. “Vemos muita indignação de quem ficou sem os seus investimentos, é compreensível”, disse, para logo acrescentar: “mas contra quem ficou com as suas poupanças é que não vemos indignação nenhuma”. Acusou, por isso, a solução encontrada de ser “à boa maneira socialista: alguém há-de pagar, não se sabe quando, nem quanto”. Trata-se “de mais um remendo da geringonça à custa dos portugueses”, criticou.
Duarte Pacheco classifica a proposta apresentada pelo Governo como “um fato à medida para alguém”, pelo que insistiu que é necessário saber-se mais do que é dado a conhecer. Acusou a bancada do PS de desrespeitar a Justiça, na medida em que “assume que o Estado será culpado pelas ações que os lesados têm contra o próprio Estado, evitando assim o apuramento de responsabilidades”. “Os senhores já se substituem à própria Justiça, dizendo que o Estado ia ser condenado”, afirmou, reiterando o desrespeito que a maioria de esquerda mostra ter pelas instituições e pelo Parlamento.
Governo está a abrir “Caixa de Pandora”
Duarte Pacheco alertou, ainda, que o dito “fato à medida abre uma porta para o futuro”, pois a proposta de lei “diz que todos os lesados passam a poder beneficiar de garantias do Estado”. Duarte Pacheco explica: “se forem lesados de outra instituição financeira podem pedir garantias públicas”. “Estão a abrir uma Caixa de Pandora”, avisou, acrescentando que as consequências recairão sobre todos os contribuintes que serão chamados a pagar “negócios ruinosos”. Em contrapartida, o Governo quer “branquear o comportamento das entidades de supervisão”, denunciou o social-democrata.
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