A Comissão Europeia apresentou ontem um documento de reflexão com as propostas para completar a União Económica e Monetária, que inclui propostas defendidas pelo PSD desde maio de 2015, como são exemplos a criação do Fundo Monetário Europeu (FME), e a possibilidade de nomeação de um presidente permanente e a tempo inteiro para o Eurogrupo.
“Fiquei muito satisfeito porque o documento de reflexão tem lá quase tudo o que representou a posição do governo português em 2015”, sublinhou Pedro Passos Coelho, no encerramento das jornadas parlamentares do PSD, em Albufeira.
“Não há dúvidas sobre o que o PSD pensa, apesar de nos acusarem de não termos ideias nem propostas. Mas não sabemos o que pensam o BE, o PCP e o PS destas reflexões”, avança o presidente do PSD, convidando António Costa e os seus parceiros a revelar a sua posição sobre esta matéria.
O documento apresentado pelos comissários do Euro, Valdis Dombrovskis, e dos Assuntos Económicos e Financeiros, Pierre Moscovici, prevê um conjunto de medidas que poderiam ser adotadas até às eleições europeias de 2019, mas descreve ainda algumas linhas condutoras para ações que podem prolongar-se nos anos seguintes, depois de identificada e concluída a estrutura arquitetónica da União Económica e Monetária.
O PSD congratula-se com o documento apresentado. “É um dado muito positivo porque finalmente parece que a discussão nas instituições europeias para a reforma da arquitetura institucional da zona Euro está a seguir um rumo", defende Miguel Morgado, vice-presidente do grupo parlamentar social-democrata. Este é um rumo necessário para “ter as soluções institucionais mais adequadas face às carências que a zona Euro ainda enfrenta", conclui.
Em maio de 2015, o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho defendeu, em Florença, a criação de um Fundo Monetário Europeu, que colocaria a Europa numa posição mais favorável para a resolução dos seus problemas. Após uma reunião com o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, Passos Coelho explicava que “a União Europeia tem uma vasta experiência em gestão de crises financeiras” e que “devemos retirar os países da gestão da crise e entregar o assunto a instituições”. Segundo o então primeiro-ministro português, a criação de um FME seria crucial para o fortalecimento da confiança nas instituições.
O FME exerceria três funções essenciais: absorveria o Mecanismo Europeu de Estabilidade, e ficaria encarregue do auxílio aos Estados com dificuldades financeiras temporárias, permitindo dispensar o FMI e o BCE do papel que têm desempenhado de escrutinadores dos programas de assistência; faria a gestão de programas de investimento europeu e de apoio a programas reformas estruturais nos Estados-membros que não tenham meios imediatos de as financiar, mas que produzem efeitos benéficos não só para eles, mas também para os restantes Estados-membros; e teria a capacidade orçamental ao nível da zona euro, financiada por recursos próprios, para fazer face aos chamados choques idiossincráticos e assimétricos no seio da União Monetária, incorporando mecanismos com efeitos de estabilizadores automáticos como, por exemplo, a prestação parcial de subsídio de desemprego ou apoio a políticas ativas de emprego.
Quando o PSD avançou com esta proposta, entre outras, e a defendeu na Europa, fixando-a como a posição oficial do governo português, não teve o apoio do Partido Socialista, principal partido da oposição. Já em 2016, com o PS no governo, o PSD voltou a insistir, no Parlamento, para que houvesse um esforço continuado de reunião de apoio a este pacote de propostas para o fortalecimento da União Europeia, e o PS continuou a fugir a uma resposta.
Em janeiro de 2017, na Cimeira dos Países do Sul, António Costa adotou a proposta do anterior governo de criação do FME, a mesma que sempre tinha recusado. E até pediu emprestada a narrativa. Nessa altura, Catarina Martins, líder do BE, aproveitou a oportunidade para reforçar que o mais importante para Portugal é trilhar o caminho para a saída do Euro.
Foram precisos dois anos para António Costa chegar onde o anterior governo já estava. E, nesse período, nesta matéria como em muitas outras, Portugal só perdeu tempo.
Para o PSD, já em 2015, era essencial que:
Rui Rio recebido pelo Presidente da República
Leia mais
Rui Rio: desemprego desce à custa de baixos salários
Leia mais
Rui Rio: os madeirenses confiam “na competência de Miguel Albuquerque”
Leia mais
Rui Rio encontrou-se com membros do CEN da Madeira
Leia mais
Rui Rio: Governo atrasa resolução dos problemas da Madeira
Leia mais
Centro de Negócios da Madeira reveste-se de "importância capital"
Leia mais
Rui Rio recebeu Pedro Nascimento Cabral, candidato ao PSD/Açores
Leia mais